29 junho 2014

O oceano no fim do caminho (Neil Gaiman)



Eu sou declaradamente fã da escrita de Neil Gaiman

Não importa o que ele escreva, não importa o gênero, tipo de personagem ou enredo, tem alguma coisa na imaginação, na forma de pensar e, em especial, no uso que ele faz das palavras que me faz ter muita vontade de assistir uma de suas palestras ou mesmo ter a oportunidade de, em uma fila de autógrafos, dizer: obrigada.

Dito isso, vamos falar do livro de hoje.


Quem confirmou, mais uma vez, minha simpatia pelo autor, foi O oceano no fim do caminho, um título grande, quase poético, que promete alguma coisa, embora a gente não saiba bem o quê.

A história traz um homem, perto dos 50 anos, indo a um velório próximo do lugar em que viveu as mais fortes experiências de sua vida, 40 anos atrás. Velório de quem? Não sabemos, mas sentimos sua dor, seu pesar e a bagagem pesada de lembranças que esta morte, e o consequente reencontro, trazem. 

Em outro de seus livros, o Lugar Nenhum, Gaiman já nos disse que lugares guardam memórias; aqui ele nos traz novamente esse elemento e, assim, esse homem, divorciado, com filhos grandes e um coração com cicatrizes, volta a ser um menino de 7 anos. 
Esse menino, por circunstâncias trágicas, conhece a misteriosa Lettie Hempstock, uma menina de 11 anos, que vive com a mãe e a avó, na propriedade das Hempstock, que fica no fim do caminho e guarda o tal oceano. Esse encontro trará à vida dele mistério e terror (sim, Gaiman consegue criar umas imagens e criaturas bizarras!), mas também aventura, solidariedade, altruísmo, compaixão. Amor. 

Quão marcantes podem ser as experiências de infância? Quais os medos que espreitam a infância? Quantas eras podem caber no olhar de uma menina? De que tamanho pode ser um oceano?
 
É bem possível que você saia desse livro com mais perguntas do que respostas, aliás, me parece que essa é a diversão e o presente de Neil Gaiman para nós, seus leitores. O oceano no fim do caminho é uma história de fantasia ou seria realismo fantástico? Não sei. Realidade e fantasia se misturam, alargando suas fronteiras pra lá e pra cá, mas, uma coisa é bem clara: os sentimentos desse menino ressoaram em mim e foi impossível não me emocionar. 

Esse livro me custou, na livraria física, o dobro do preço em livraria virtual; eu queria lê-lo, mas tinha receio de não amar como todos os outros livros de Gaiman; eu não queria que terminasse; eu grifei muitas passagens, mas gostaria de grifar o livro todo. Esse livro me fez chorar várias vezes, contida e silenciosamente, como quem balança a cabeça e pensa: eu te entendo. Eu saí mexida, pensativa, com uma sensação morna, de uma esperança respingada de doçura e melancolia.


P.S: Eu amo essa capa. Amo. É linda nessas variações de azul, conseguindo, num curto espaço, realmente criar um oceano.

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