24 agosto 2014

Bonsai (Alejandro Zambra)

Enquanto escrevo esse texto, penso se terei, de fato, a capacidade de escrever uma resenha sobre Bonsai. Eu o li em Julho; terminei de ler e imediatamente após, reli. Recomendei pra todo mundo no twitter, fiz campanha, como costuma acontecer com livros dos quais eu gosto bastante e, do mesmo modo, travei na hora de escrever.

Bonsai é um livro simples e, ao mesmo tempo, extremamente complexo. Zambra, esse sádico, conta a história de Julio e Emilia (que eu só consigo chamar de Amelia, sabe lá Deus porque), dois estudantes que se conhecem de forma improvável e se envolvem de forma, igualmente, improvável.

Sádico, eu chamei o autor. Não tenho como dizer outra coisa de uma pessoa que escreve aquela história, daquele jeito. A mesmo tempo em que nos oferece a mão cheia de esperança na vida, retira, sem cerimônia ou aviso. Entre Julio e Emilia há os livros, os corpos, o amor e a vida, sempre ela, a se intrometer, juntar, afastar, magoar, alegrar, enfim, a fazer as pessoas vagarem como ondas batendo nas rochas durante uma ressaca. Sim, acho que essa é a imagem que define a minha sensação ao ler Bonsai.


Eu não sei contar a história desse livro, só sei dizer das sensações que me despertou. Preciso admitir também que, para todo sádico, deve haver um masoquista, que sou declaradamente eu, com a certeza de que ainda relerei Bonsai muitas vezes e em cada uma delas perceberei nuances mais sutis e mais poéticas, mais sofridas e mais tocantes. Me apaixonarei pela quase ingênua história de amor de Julio e Emilia. Chegarei ao fim com o mesmo nó na garganta das leituras anteriores e que insiste em me fazer companhia ainda agora. 

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