01 agosto 2014

Degustar x acumular



Na última semana comecei a ler uns 6 livros e nenhum deles foi adiante. Eu poderia chamar de falta de interesse, de atenção, cansaço ou ressaca literária. Mas, nada disso chegaria ao cerne da questão de que, na verdade o que eu preciso é seriamente reavaliar as minhas leituras. 

Não, ainda não aceito aquela maluquice de só ler clássicos ou cânones da literatura, afinal de contas, para que esses livros se tornassem clássicos, alguém, um dia, teve que dar uma chance a eles, teve que se aventurar nessas terras incógnitas, mas, fato é que a gente acaba se perdendo com muita coisa que não vale à pena ou não nos interessa e deixando de ler coisas fenomenais. 

Como saber se um livro vale à pena ou não? Não sei. O que eu sei é que leitura, pra mim, é coisa séria, não no sentido de obrigação, mas como algo que demanda tempo, reflexão, links e, o principal, degustação. Quero saborear o livro como quem prova um prato novo e tenta entender que combinação é aquela e como lhe toca. Ou não toca. Quero devorar e ser devorada.

Comprar, enlouquecidamente, em promoções, fazer muitas parcerias com editoras, essas duas coisas têm um potencial enorme, acreditem em mim quando digo isso, de comprometer a qualidade das nossas leituras. Tem coisa que eu leio pura e simplesmente como passatempo. Mas até meu entretenimento eu quero que tenha o mínimo de qualidade.

Eu não estou, de forma alguma, cuspindo no prato que comi e ainda como, que fique bem claro. Pode ser que alguém leia isso e diga: ah, ela fala assim, mas olha as parcerias ali ao lado! Sim, eu tenho parcerias e ainda tento seleção de outras, mas eu avalio criteriosamente cada escolha porque percebi que se perder nesse mar de consumo é muito, muito fácil. 

Eu não quero consumir literatura. Não quero uma leitura bancária, só acumulando títulos e somando números que me garantam recordes mensais ou anuais. Quero sentir as histórias, quero que os livros ressoem em mim. Mesmo que eu não lembre os detalhes, quero lembrar da sensação que aquele livro me causou. Quero pensar coisas a partir dele, quero mudar, melhorar, questionar minha forma de ver o mundo. 

Não quero correr filas de leitura e exatamente por isso estou peneirando mais as minhas escolhas, não que tenha feito escolhas muito ruins, ao contrário, sou uma leitora de encontros felizes. Assim descobri Agualusa, Patrick Rothfuss, Justin Cronin, Neil Gaiman, Patrícia Melo, Martin Page. Acontece que tem livros que realmente me deixam com água na boca, mas que se perdem de mim na esquina movimentada das ofertas abundantes.

Esse post não tem um motivo especifico para existir; acho que essas dúvidas fazem parte do meu amadurecimento de leitora. E, como diz o Jota Quest “são pensamentos soltos, traduzidos em palavras para que você possa entender o que eu também não entendo”.

E você aí, como anda a sua relação com a leitura? Bancária ou gastronômica?

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